A menina se chamava Emma.
Ela passou o caminho inteiro tossindo, mas a mãe continuava dizendo que tudo ficaria bem assim que chegassem ao hospital.
Mas quando entraram na emergência, Emma já mal conseguia respirar.
A sala de espera, iluminada por luzes frias, estava cheia de pessoas cansadas. Uma televisão ligada sem som pendia da parede. Em algum lugar ao longe, ouvia-se o bip constante de um monitor.
Emma escorregou dos braços da mãe e sentou-se no chão, apertando o peito.
— Mamãe…
Eu não consigo respirar…
Seu pequeno inalador escapou de sua mão e rolou lentamente pelo chão.
A mãe caiu de joelhos, desesperada.
— Por favor, ajudem ela. Ela tem asma. Ela não consegue respirar—
A mulher da recepção nem sequer se levantou.
Com um olhar cansado, empurrou alguns papéis na direção da mãe.
— Primeiro preencha isto.
A mãe ficou paralisada.
— Você não está entendendo. Ela está ficando roxa—
— Senhora, todos estão esperando na fila.
No segundo seguinte, Emma caiu de lado no chão.
Sua respiração ficou curta e aguda. As pessoas na sala de espera finalmente olharam para ela, mas ninguém se aproximou.
— AJUDEM ELA.
POR FAVOR.
E naquele exato momento, ouviu-se o som pesado de uma cadeira sendo arrastada.
No canto mais distante da sala estava sentado um homem idoso usando um terno preto. Ao lado dele, apoiava-se uma bengala com cabo de prata.
Até aquele momento, ninguém sequer havia notado sua presença.
O homem levantou-se lentamente e aproximou-se da menina.
Ele não gritou. Não correu. Mas havia algo em sua presença que fez toda a sala mergulhar no silêncio.
— Há quanto tempo ela está assim?
A mãe não respondeu.
O homem ajoelhou-se ao lado de Emma e observou seu rosto por alguns segundos.
Depois pegou o inalador caído no chão.
Seu olhar mudou.
— O que ela tomou?
A mãe empalideceu de repente.
— Eu… eu não sei—
O homem olhou calmamente para ela.
— Isto não é uma crise de asma.
O silêncio tomou conta da sala.
A recepcionista finalmente se levantou.
— Senhor, já estamos chamando um médico—
— Vocês já estão atrasados.
Lágrimas escorreram pelo rosto da mãe.
— Eu só queria que ela dormisse… ela chorou o dia inteiro…
Sua voz se quebrou.
— Eu dei metade de um comprimido… dos remédios da minha irmã… eu não sabia—
O homem fechou os olhos por um instante.
Como se aquelas palavras tivessem aberto uma velha ferida dentro dele.
— Reação anafilática — disse ele baixinho.
— Se vocês não se moverem agora, ela vai morrer.
Depois dessas palavras, toda a emergência finalmente ganhou vida.
Os médicos correram em direção à menina. Trouxeram equipamentos de oxigênio. Uma enfermeira afastou a mãe enquanto os outros tentavam salvar a criança.
O pequeno corpo de Emma quase não se movia.
Depois de alguns minutos que pareceram eternos, os médicos a levaram às pressas para a unidade de terapia intensiva.
As portas pesadas se fecharam atrás deles.
O silêncio voltou para a sala de espera.
A mãe estava sentada no chão, repetindo sem parar:
— Eu não queria… Meu Deus… eu não queria…
O homem não disse nada.
Ele apenas olhava para o inalador vazio que ainda segurava na mão.
Então, por trás das portas, ouviu-se uma tosse fraca.
Muito fraca.
Mas viva.
O rosto do homem se quebrou por um instante.
Como se ele tivesse visto alguém novamente…
alguém que havia perdido anos atrás.
Ele rapidamente se virou para que ninguém percebesse as lágrimas se acumulando em seus olhos.
Depois pegou sua bengala e caminhou lentamente em direção ao corredor escuro.
E só naquele momento a mãe percebeu a pequena gravação no cabo de prata.
“Lily.”
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